quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dia do amor

Mais do que dia dos namorados, vou considerar hoje um dia pra celebrar o amor. Porque não, não é porque eu não tenho um namorado no momento que estou sem amor. Por isso, vou me declarar a quem eu amo. Mãe, pai, irmãos, cunhada-irmã, tias, tios, primos, primas, (e nem preciso dizer que se estende aos amigos-irmãos que a vida me presenteou) todos vcs que fazem parte da minha grande família, vcs me ensinam, dia após dia, mesmo que um oceano de distância nos separe às vezes, que amor é sim, pra sempre. Amor é certeza. São vcs que conhecem não só o meu lado doce e de geminiana superlegal e agradavel. Minha mãe, por exemplo, e quem mais conhece minha veia aquariana: do contra e contestadora. Outros conhecem meu ascendente em capricórnio, capaz de ser frio como uma pedra de gelo e dizer na cara o que vc não quer ouvir. São vcs que me conhecem nessa mistura de alegria e ansiedade, de vou sem medo e insegurança, de to feliz, to insuportável. E eu conheço as chatices de vcs também. E o bonito disso é que a gente se ama em todas as nossas versões. Então, eu tava pensando que Amor talvez seja muito sobre isso: não abandonar o outro quando ele não está em sua melhor versão. Não abandonar o outro quando vc mesmo não está em sua melhor versão, porque se tem amor, ele vai entender. Estar ao lado, independentemente do sol ou da chuva que faz lá fora. Ou aqui dentro.  Ou aí dentro de vc. 
Amor é aceitação.
E se um dia eu encontrar quem eu ame e que me ame de volta assim, ahhhh, um feliz dia dos namorados pra mim!!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A primeira vez que eu disse eu te amo




Lembro da gente dormindo abraçado. Seria só mais uma noite dormindo abraçado. Não fosse o fato de você me abraçar mais forte naquela noite, como se fosse se despedir e quisesse me guardar dentro de você.
No meio da noite tive que pedir pra você tirar o braço de cima de mim, porque estava apertando meu coração.
Eu acordei com tanta preguiça. Não dormia, mas não queria sair da cama.
Você deitou ao meu lado de novo e de novo me abraçou como se fosse acontecer algo ruim e você quisesse me guardar dentro de você.
Quando enfim levantei, me vesti, calcei as botas, tudo é tão claro nas minhas lembranças como se tivesse acontecido ontem.
Mais uma vez você me abraçou. E ficamos ali. Abraçados. Silêncio. Tempo parado. Meu coração em uma mistura de quero ficar nesse abraço e a cabeça sem pensar em nada.
De repente, a frase se formou sem aviso. O coração desapertou.
Eu te amo. 
Em talvez menos de um segundo em que não pensei em nada, a frase veio, a frase veio quando não pensei em nada. E ela veio rápida, ela veio correndo, veio como um sopro ligeiro e certeiro. Veio de uma só vez, carregada de uma sinceridade que me desesperou.
Porque eu não sabia que o amor vinha assim.
Não programado, não medido, não passo a passo. Não pensado. Não antes de 6 meses de namoro. Não antes de saber que é sério.
Bom, às vezes ele simplesmente vem.
Meu susto foi tão grande que minha ação foi por instinto:
A primeira vez que eu disse eu te amo, eu não disse.
A frase ecoou em alto e bom som na minha cabeça, mas não saíram pela minha boca.
Peguei minha bolsa e enquanto você me levava até a porta do prédio eu pensava completamente apavorada no que aconteceria se eu não tivesse conseguido segurar letra por letra daquela frase, se eu não tivesse conseguido impedir que elas saíssem de mim. Respirava aliviada por não ter dito. Tensa por ter ouvido. Confusa por ter certeza.
Eu disse que te esperaria pro jogo no outro dia. Você me olhou triste.
Eu sabia que você não iria. Desci pegar o metrô.
No domingo assisti ao jogo sozinha.
Mas não foi nossa última vez.
Numa manhã nublada de março eu acordei pensando nisso.
A primeira vez que eu disse eu te amo,
eu não te disse...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Raios de sol

E então, depois de um dia inteiro de chuva que lavou os telhados das casas, o novo dia que trouxe sol, transformou.
Ele continuava sendo ótimo: do bem, como ela queria. De boa, como ela queria. E continuava tendo aquele sorriso, aquele sotaque... Mas a partir daquele dia de sol, ela sabia que talvez não seria suficiente. E isso não vinha pesado, triste. Não trazia medo ou palpitações. Isso vinha com a mesma tranquilidade com que o sol agora aquecia as janelas das casas ainda de cortinas fechadas. Fazia um friozinho bom e enrolar- se nas suas cobertas e na sua própria alma era seguro e aconchegante.
Não sabe bem qual foi o motivo da mudança. Mas sabia que tinha algo a ver com não poder sonhar. Ela vivia de sonhos, quem é que não vive? O presente pode ser o maior presente da vida e a única coisa que temos de verdade nas mãos, mas isso nunca a impediu de perder-se na imaginação do que ainda virá. Nada lhe fazia brilhar mais o olhar do que ter borboletas voando em seus pensamentos: um novo começo, uma mudança de cidade, um novo trabalho, qualquer coisa que a fizesse querer seguir atrás da luz.
E assim precisava ser também o amor. O amor precisava lhe acenar um futuro bom, porque detestava coisas problemáticas, difíceis, que não levavam a lugar algum. Ela só queria um amor em paz, que lhe apontasse um caminho bonito. Ela sabia que não existiam garantias. Mas a possibilidade tinha que carregar raios de sol e não de chuva.
Uma pontinha de tristeza só surgia quando ela pensava que talvez ele se tornasse só mais um. O que vivem é tão luminoso e leve. Com sorrisos coloridos, abraços transparentes e olhares tão amigos.
Não queria, mas o que fazer? Isso não dependia dela.
De qualquer maneira, sabia que é impossível segurar o tempo.
Em alguns momentos até se questionava: será que algo poderia surpreendê-la? Mas por ora, ainda preferia responder a si mesma:  o tempo certo sempre vem, trazendo as mudanças que nos farão bem...

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Lembranças

Sunshine, one claire day
My girl, talk about my girl….

Minha música despertador ressoava quarto afora. Já fazia 3 anos que My girl era minha música de despertar. Por pior que tivesse sido o dia anterior, ou muito pior ainda, por pior que tivesse sido a noite anterior, essa era a música que me fazia sorrir antes de abrir meus olhos de manhã. Ela me dava a sensação de uma esperança absurda na vida e no novo dia que estava nascendo. Com ela, ainda de olhos fechados, eu tinha as minhas melhores lembranças, como por exemplo, acordar numa manhã de domingo  ouvindo o barulho das árvores dançando com o vento na casa da minha avó. As árvores da minha avó adoravam dançar com o vento, especialmente nas manhãs de domingo. E eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo quando acordava com aqueles passos de dança.
Ou então, ainda falando de casa de vó, quando eu me perdia no meu quadro preferido, que enfeitava a sala da casa velha. Ele não era uma obra prima, nem muito bonito ele era. Mas eu era criança e ele me contava muitas, muitas histórias. Eu ficava parada olhando pra estrada na beira das montanhas pintadas naquela imagem e o homem que seguia  de costas aquele caminho me hipnotizava. Eu sempre tive a sensação que, de alguma forma, eu vivi naquele lugar. Eu ficava imaginando pra onde aquele homem estava indo e pensando o que tinha atrás daquelas casas, montanhas, estrada. Talvez eu fosse uma criança sonhadora demais, mas a casa da minha avó era um convite pra imaginação. Eu ia pra casa da minha avó praticamente uma vez por ano e o nome da vila onde minha avó morava era Coronel Finzito. O que se pode esperar de um lugar que se chama Finzito? Era um finzinho de mundo, um lugar perdido, onde eu encontrava tempo pra sonhar e viver outras vidas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Não tão simples assim

A vida ainda padecia de sentido. Por qual motivo, quanto mais você preenche a vida, mais espaço há para preencher?  Não existe mais o terreno do nada. A estrada que se percorre só pra se divertir no caminho. Agora tudo pesa, tudo é grande, tudo exige. O sono que antes era leve, não suporta mais a sensação de dever cumprido porque sempre há mais a fazer.


E isso que nem to falando de amor. Desde que me entendo por gente, amor é falta. Ele nunca esteve ali, preenchendo seu espaço, como moço educado. Ele sempre sentou no lugar errado, no lugar de outra pessoa. E se via tendo que levantar rapidinho, pra dar lugar a quem comprou a passagem. Falta amor, desde sempre. E o resultado disso, só podia ser um: sobra fantasia. Sobra expectativa. Na falta de realidade, a ilusão toma conta pra me manter viva.

sábado, 16 de novembro de 2013

Na estação


Ele acaba de terminar um casamento de 12 anos e decidiu que precisa aprender a ficar sozinho.
Está descobrindo o prazer de se fazer companhia: em casa, no cinema, no bar.
Ela não namora há 4 anos e decidiu que precisa aprender a se deixar acompanhar: já conhece o prazer de se fazer companhia há muito tempo, em casa, no cinema, no bar.
Ele disse que precisa de tempo. Ela sabe que precisa de par.
Talvez ele nunca mais ligue. Quem sabe ela fique um tempo a esperar.

Ou chega cedo de mais, ou muito tarda, o amor.
Esse trem que custa sua hora acertar.
E é tanto passageiro a perder.
E é muito passageiro a esperar.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tristeza não tem fim

É uma tristeza que vem assim, devagarinho, como manso chuvisco. Não há trovoadas, vendavais. A tristeza da morte é suave, porque é infinita. Minha vida sempre foi boa e não gosto de reclamar dela. Mas 2013 me trouxe experiências que desconhecia. Com o desconhecido vieram as atitudes mais comuns, mais piegas, que você houve sempre, de quem passa por alguma dificuldade: você é forte, todo mundo é, quando precisa ser. Primeiro foi um de meus irmãos com câncer. Você só vai sentir a tristeza que é ver alguém que você ama passar por isso, quando tudo passar. Enquanto você precisa ocupar teus finais de semana percorrendo corredores de hospital, segurando a mão no leito, chamando a enfermeira ou simplesmente dizendo "escuta, ele precisa ir imediatamente pra UTI, porque ele não respira", não, você não se sente triste. Você só quer lutar. Mas no final disso tudo, o mais importante é ainda poder lutar. Já a morte, essa te derruba sem chance. Há dois meses perdi meu avô. E a gente não pensa na rapidez da morte. Você pisca e ela chega numa tarde gostosa de sábado. O mundo não se prepara pra receber a morte. Ela só chega. Foi a primeira pessoa que faleceu na nossa família, então, bem, a gente ainda tá vendo no que isso dá. Por hora, vem essa tristeza. Uma tristezinha, que a gente vai sentindo dia após dia por um não sei quê. Um passar de dia diferente. Uma vontade de chorar. E como a gente não tá acostumado com tudo isso, a gente lembra do vô, mas a gente não liga, assim, logo de cara uma coisa com a outra. Porque o toque é tão de leve. É um minutinho pra olhar pela janela. É um segundo pra parar o trabalho. É um momentinho que a gente respira mais demorado. E sente. Sente o espaço que ficou vazio. A cadeira na mesa que sobrou. O radinho que não foi mais ligado no domingo de manhã. O silêncio que a voz não preencheu mais. O chapéu que ninguém mais usou.
É a vida, que não volta.
É a vida, que passou. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

E aí você vai embora e eu fico bebendo você


E eu nem sei mais escrever sobre isso. Um dia fui uma pessoa bonita, dessas que transforma um pedaço de papel em poesia. Eu tinha um coração cheio de sonhos e um olhar de quem via tudo, mas ninguém via. Ninguém viu. E eu adormeci.
Adormeci e perdi a capacidade de tocar nos sonhos. De ser livre. De desenhar. Sinto saudade. E me canso. E nem canto mais. Às vezes, em poucas, uma música me faz lembrar do início. Quando eu ainda era. E bastava. E sonhava.
Porque o tempo ainda não havia passado.
Tinha ainda tanto tempo pra sonhar.  

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Adoramos reclamar da normalidade da vida. Rotina, horários, compromissos cotidianos, responsabilidades...tudo parece monótono de mais para corações pós-modernos. Mas é quando você é tirado da obviedade dos dias que percebe como a calmaria é, antes de mais nada, paz de espírito. Quem não consegue conviver com um ritmo naturalmente cadenciado por horas normais, não sabe a falta que isso faz em momentos de tempestade.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sei lá.

Eu sempre penso que preciso escrever mais, pra tirar esse sufoco por falar através das letras que quem gosta de escrever sente, mas terminando um mestrado e estudando pra uma seleção de doutorado a coisa ficou meio apertada esse ano! Quase não escrevi! Vasculhando arquivos, encontrei esse texto, de dezembro de 2011...quase uma ano atrás...não achei nas minhas postagens, então aí vai:


"Ela tem esse eterno jeito “sei lá”. Não arrebata corações, tem vocação zero pra sedução, mesmo usando salto 15 e decote. Não combina com ela ser gostosa ou extravagante, não por querer pregar de santinha, inclusive acha lindo mulherão que sabe ousar, mas ela apenas não é e ponto. Se sente mais confortável vendo o mundo como se estivesse à parte dele, sem causar terremotos, sem chamar a atenção. No amor, em geral, é do tipo que as coisas simplesmente não acontecem. E isso não é exatamente um fardo. O que mais ouve é “não tem namorado?” só falta a coragem de dizer o “tadinha” no final, o que pra ela soa tão, tão, bobo! Porque é que alguém que não tem namorado aos 28 tem que ser digna de pena? Pessoas estranhas essas que andam por aí...
Na idade em que está, tem tudo o que quer e vive a vida na paz. Casar não é seu objetivo primordial, mesmo que, como toda mulher, tenha seu lado mulherzinha. É claro que precisa de amor, mas quem tem muito na vida não se joga em um precipício por um motivo único. Decidiu que se for pra cair, só cai por desgraça total e completa. Ficar triste porque não tem alguém? Dura uns 5 minutos. É o tempo necessário pra lembrar do trabalho que lhe dá prazer, dos amigos que adora, da família fantástica, das viagens encantadoras. Mesmo se questionando e querendo sempre mais, sabe que não tem o direito de reclamar. A vida é naturalmente boa. E por saber disso ela não precisa se amar enlouquecidamente, amar os outros insanamente, viver intensamente como se fosse o último minuto de sua vida. Ela se gosta sem precisar ficar exaltando qualidades pra ninguém. É claro que gosta de gente, de ser humano, de sorriso no rosto, de abraço. Mas não precisa sair dizendo que ama profundamente os amigos e a família, porque atitudes de carinho não precisam necessariamente ser narradas. E é dessa calmaria que nasce o jeito “sei lá”. As pessoas sentem uma necessidade absurda de rotulação, então porque ela não vive paixões intensas, porque ela gosta de ajudar, porque ela se dá bem com quase todo mundo, ela é rotulada como essa coisa sei lá, assim, meio sem graça, meio boazinha demais. Do alto de sua mansidão, ela não contesta. Sentada no bar, tomando calmamente sua cerveja e observando tudo, ela pensa apenas “Aahh, sei lá! Que achem o que quiserem”."

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Mesmo com tanta coisa saindo errado até que tudo dê certo, eu continuo achando que o amor é fácil. É tão fácil perceber que ou você deixa ele entrar ou mantém ele de lado! Uma vez li que cada um tem um momento. Eu acredito nisso. O meu momento foi logo nos primeiros momentos, quando vi que você era muito próximo do que eu procurava. E deixemos a hipocrisia de lado, porque todos nós procuramos alguém   de um jeito determinado, colocamos critérios. Até podemos ser surpreendidos e o modelo pode ser flexível, mas, em geral, a gente sabe do que gosta.
E desde os primeiros momentos eu sabia: com você, o amor podia acontecer. Algo como olhar e pensar "tá aí, gostei ...". Ainda não era amor, era só um pensamento com frase em reticências. Mas, veja bem, com reticências, quando em geral, era sempre ponto final, ou não chegava a haver nem pensamento, nem frase. Com você, enfim, podia ser amor. Meses depois eu saberia que ele não viria a ser, assim, completamente. Mas ele podia. Eu sentia que era só dizer sim. Era só querer o amor. E eu, contrariando o repertório de fugas, incertezas e indiferenças, pra você eu queria dizer sim. Eu tava louca pra dizer sim. E aí, aí seria tudo alegria! Podia ser tudo alegria. Podia, se não fosse você dizer não. E dizer não com todas as letras, dizer um não consciente e racional. E me oferecer um pedacinho de um tipo de amor: o descompromissado. Sincero, sem enganação, até bom, mas com uma placa bem grande contornado com sirenes vermelhas e escrita em neon dizendo: daqui esse amor não passa.
E não existe raiva, piti, desconforto. Por um ano, até teve tudo isso, só pra mim mesma. Porque quem diz sim, acaba vivendo um pouco do amor que poderia ter sido, mesmo que o outro diga não, nem saiba, muito menos imagine. Agora, nesse momento em que você vai embora, sinto que esse amor, esse que eu vivi e você escolheu não viver, é jogado, sei lá, para o universo. Para o terreno da sorte, para o que Deus quiser. Porque a distância, ela é ótima em apagar devagarinho e afastar sem ferir brutalmente. A gente vai aceitando e esquecendo.
E não há mágoas, porque quando a gente não é mais muito criança entende que talvez simplesmente não seja eu pra você, mesmo que seja você pra mim. Você não teve momento comigo ou, se teve, escolheu deixar passar. Foi tua escolha equem é que tem o direito de criticar a escolha do outro? Eu tive meu momento e disse sim. Você pode ter tido, mas disse não. E aí só resta pensar, poxa, que pena! Foi bom, mas poderia ter sido tão mais... 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dói, né?! 
Doeria menos se ele fosse um cafajeste, cachorro, sem-vergonha...seria fácil aceitar que não era pra ser. Mas ele é legal, ele é um cara que ama.
E dói saber que não sou eu.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Breve, demorado, amor.

O amor, antes de mais nada, é um aconchego. Nem sempre é preciso um laço preso demais, amor não precisa de nó. Basta um abraço sincero e pronto: o coração acalma, você tem um lugar, um descanso, por segundos, da rotina maluca que é a vida. Nem sempre é preciso ter ligação no outro dia. Nem sempre é preciso ter aliança no dedo. Se tiver, ótimo, o amor exibido é lindo também, porque presta o serviço de lembrar aos decepcionados que sim, o amor existe e, logo, logo, chega, sem avisar. Amor também é passar aquela noite legal, com aquele cara legal, com aquela conversa legal, com aquele carinho legal. Momentâneo não adianta, dizem alguns. Você está sendo usada, dizem outros. Quanta bobagem. O amor cabe sim, inteirinho, dentro de um momento. O amor se adapta a qualquer situação: pode durar para sempre (e se reinventar lindamente a cada ano que passa); ou pode durar o tempo de um olhar, que nunca  mais vai ser visto. Porque o amor dura o tempo necessário: nem mais, nem menos. O que não dá - e essa é para aqueles que se dizem cansados, que decidiram fugir, que proclamam não querer se envolver, enfim, aquela palhaçada toda, de quem tá com dor de cotovelo - é viver sem amor. Só há sentido em qualquer coisa na sua vida, em qualquer atividade, em qualquer relação, em qualquer sonho, se nisso existir amor. Amor de homem, amor de mulher, amor de mãe, amor de irmão, amor de amigo, amor de trabalho, amor de vida, amor de dia, amor de noite, amor, amor e amor. Amor em tudo o que exista. Se ele sumir de algum lugar da sua vida, recupere-o, recrie-o, busque-o.
Queira, o amor.
Ele vai adorar isso. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A crise, parte I: generalizações


Estou em em crise total, completa. Mergulhada inteiramente na lama da indecisão e do desconforto comigo mesma. Os homens do século XXI até que andam tentando descobrir o que eu quero e sabe qual a melhor resposta? Não faço a mínima ideia! Não sei nem por onde começar, quando paro pra pensar nisso. Seria porque parece que não tenho mais muito pelo que lutar? Não existe mais uma causa nobre e profunda, não preciso mais provar nada pra ninguém, feminismo, pra mim, perdeu um pouco o sentido (e as feministas que perdoem minha ignorância...mas só falo aqui do que estou sentindo). E eu, mulher, também. Posso fazer o que eu quiser, ou pelo menos quase tudo. Talvez para algumas coisas possa existir uma falsa aceitação, mas se houver, tenho quase certeza que ela não vem dos outros, mas de mim mesma.
É, gurias, eu ando assim, perdidinha. Hoje mesmo ouvi minha mãe contar sobre um comentário de uma amiga. A tal da amiga disse que passou na casa de uma conhecida e lá estava ela as 5 da tarde tomadinha banho, sentada na área limpinha de casa, tomando um chimarrãzinho, com os filhos banhadinhos brincando na grama, a própria imagem da paz e tranqüilidade da mulher do lar. E ela - a amiga da minha mãe – era a própria imagem do stress pós-moderno grudado em um corpo cansado pelo trabalho do dia, em um rosto suado, um cabelo sujo, tudo conspirando para a falta de glamour e, claro, destoando completamente da concepção de paz e tranqüilidade. Então ela se questionou: “mas será que essa vida de mulher dona de casa não era melhor?”
Estamos vivendo exatamente no limbo que separa o mundo da "tranquila" vidinha do lar, do mundo em que somos poderosas, independentes e...cansadas. Afinal, o que é melhor? As duas coisas têm vantagens e desvantagens. Eu tenho certeza que uma semana apenas como dona de casa me deixaria completamente entediada e depressiva. Mas essa correria louca de trabalhar fora também acaba com a gente. Acaba, porque a gente não vai simplesmente trabalhar fora. A gente vai trabalhar e ser boa no que faz. A gente vai ser muito competente, altamente dedicada e além disso tudo, ainda vai conseguir ser linda e cheirosa. Só que se existe uma coisa que mulher sabe ter em sua mente, em seu coração e em sua alma, é o desejo de querer mais. Ok, temos o sucesso nas mãos. Antes mesmo dos 30, temos um caminho interessante construído especialmente para alcançar o êxito: uma carreira profissional bacana, um salário legal, amigos queridos, liberdade na vida social, amorosa e sexual e tanta coisa boa, que parece inaceitável que não consigamos ser o quadro da perfeita felicidade.
Inaceitável. Mas é o que anda acontecendo. A gente tem tudo isso aí em cima e não consegue ser feliz, porque queremos mais. O problema é que, volto a repetir, a gente não tem a mínima ideia do que seria esse plus, esse adicional, esse pequeno detalhe que nos faria sentir como que descobrindo o grande segredo da nossa existência, que seria capaz de enfim, nos deixar em paz.
E aí a gente tenta buscar explicações. Seria a descoberta desanimadora de que príncipe encantado não existe? Todo mundo critica essa história, mas poucos param pra pensar que o príncipe encantado não era só a possibilidade de ser feliz no amor, não significa apenas a ideia superficial de que existe alguém perfeito para cada uma de nós, não era um personagem singelo e despretensioso de um conto de fadas. Tudo bem, é claro que já sabemos que existem tantos homens perfeitos quanto políticos honestos, mas não é apenas do caráter romântico que o príncipe encantado se nutria. Ele era a representação de uma sociedade machista, mas que mesmo com carga negativa oferecia o que hoje o mundo não oferece mais: segurança. O príncipe encantado era qualquer um que representasse justamente uma resposta segura e incontestável para a vida da mulher, representava o sentido de sua vida, o objetivo do seu "estar no mundo", a sua salvação.
E as possibilidades continuam: Seria a dificuldade de se sentir segura tendo que encarar a vida sozinha? Seria a cobrança extrema de nós mesmas de que temos que ser muito boas em tudo que colocamos a mão? Seria o peso de sermos esses seres fantásticos e lindos, que até dia específico tem?
Ahh....o pensamento vira um turbilhão. Temos tudo, só não temos o que parece que poderia nos completar. E aí a ansiedade se intala, o stress se instala, a insegurança se instala...e nos resta sair pra comprar algo que possa acalmar nossos ânimos: um pote de sorvete, um sapato, um chocolate, tanto faz. Tudo vem da mesma estante de coisas inúteis que não conseguem nos responder o que, afinal, mulheres inteligentes, bonitas e bem sucedidas querem... mais.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Simplicidade


E então eu olhei pra toda aquela tentativa de afirmação sobre um salto 15 e pensei com meus botões...tão jovenzinha!! Deu vontade de chegar ao pé do ouvido e dizer “gatinha, tira esse salto alto e vai caminhar descalça na grama pra ver como é tão bom!”

domingo, 27 de novembro de 2011

Enquanto chove


“Quando eu quero, quero tudo, quero muito e quero agora.”
Então não me venha com meio coração, com pseudo-envolvimento.
Não chegue com medo, oferecendo um quase amor.
Não vou receber você assim.

sábado, 26 de novembro de 2011

Chance

É que a gente tem essa péssima mania de teimar. Pode o mundo estar te acenando, mas o que te afaga o ego é natural, óbvio, esperado. Você quer aquilo que não te vê. O orgulho não te permite aceitar que algo não queira ser seu. E você se agarra a rastros de esperança, enxerga possibilidade onde não existe. O mais sacana disso tudo é que você sabe muito bem que está agindo errado. Só que você se perdoa e cai na ilusão de que haverá o momento. O momento em que você consertará o engano, que você dará o troco e sairá, enfim, com seu orgulho curado, honrado, restituído. E enquanto você espera por isso a vida segue. Os dias passam. As pessoas vivem. 
Será que você conseguirá entender que para certas coisas na vida só existe uma chance?



terça-feira, 25 de outubro de 2011

De filha pra pais


E quando os anos começam a passar você percebe que os papeis que representa na vida adquirem novas funções e responsabilidades. Não é mais você, filho, que pode dar preocupação, deixar os outros sem dormir, dar sustos... não é mais você que precisa de tanta atenção, que precisa de ajuda para seguir em frente, de orientação, de mão para atravessar a rua, de segurança. Chega um dia – e confesso que acho que o meu já chegou – que são seus pais que precisam de tudo isso e que lhe dão sustos, temores e preocupações. E então, é a partir daí, que você começa a compreender “tudo” um pouco melhor e como, quando se trata de alguém que você realmente ama, você quer que seu abraço seja capaz de acalmar e fazer tudo passar, de uma batidinha no dedão do pé contra a perna de uma cadeira a uma frustração de uma vida inteira.

Que eu seja o melhor anjo que meus pais possam ter...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Era estranho para ela pensar que tudo tinha passado. Coisas, pessoas, amores. E agora era apenas ela e seu destino incerto. Todos precisam de amor, pensou. Mas ela não se enquadrava na categoria todos. A algum tempo que tinha mesmo esquecido a cor que tem o amor. Seu cheiro. Seu gosto. Seu som. Mas o mais assustador nisso tudo é que não sentia falta. Afinal como sentir falta de algo que não se sabe mais como é? Algo que não se sente mais? 

E assim ela foi, a cada dia, se acostumando mais com sua própria companhia.
Gostava de fazer seu próprio tempo e ver o mundo pela janela. Como se sentia segura, em perceber que não precisava mesmo de mais ninguém. 

Até que um dia, um belo dia, acordou com um estrondoso barulho. 
Uma pedra acertou sua janela. 
O vento frio soprou seu coração.
E com isso acordou. 
Foi vista. 
Sentiu.

domingo, 21 de agosto de 2011

Evolução da minha espécie


Muita gente coloca em orkuts e faces da vida que não quer nada mais ou menos, que quer qualquer coisa, desde que seja intenso. É sempre nesses momentos que ou penso que não me encaixo muito nesse mundo de “profundas intensidades” ou que eu realmente estou ficando velha.
Não estou dizendo que não quero sentir. Apenas gosto de sentir diferente. Quero que minhas fortes emoções sejam mais suaves e menos arrebatadoras. Já sou suficientemente inquieta por dentro e transformar essa inquietude em palavras calmas e atitudes ponderadas quando os sentimentos saem de mim já dá um trabalho danado. Aproveito muito bem minha vida sem loucura. Ou ao menos mostro minhas insanidades apenas para poucos e bons. Quem não significa algo na minha vida não precisa saber dela.
Seguido sou taxada de “boazinha”. Pois é, boazinha, mais ou menos, sinceramente, não vejo nada de errado nisso. Já tive minhas boas loucuras quando mais nova, então falo com conhecimento de causa que combino mais mesmo com a mocinha da história, ou a amiga da mocinha, pra não soar muito pretensioso. Sair dessa linha – e lógico que de vez em quando saio - além de fazer mal aos que me rodeiam, sinto que também faz mal pra mim. 
Então, em geral, hoje eu sou mesmo assim:
Gosto do bem, da calma... sou da paz.