segunda-feira, 5 de agosto de 2013

E aí você vai embora e eu fico bebendo você


E eu nem sei mais escrever sobre isso. Um dia fui uma pessoa bonita, dessas que transforma um pedaço de papel em poesia. Eu tinha um coração cheio de sonhos e um olhar de quem via tudo, mas ninguém via. Ninguém viu. E eu adormeci.
Adormeci e perdi a capacidade de tocar nos sonhos. De ser livre. De desenhar. Sinto saudade. E me canso. E nem canto mais. Às vezes, em poucas, uma música me faz lembrar do início. Quando eu ainda era. E bastava. E sonhava.
Porque o tempo ainda não havia passado.
Tinha ainda tanto tempo pra sonhar.  

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Adoramos reclamar da normalidade da vida. Rotina, horários, compromissos cotidianos, responsabilidades...tudo parece monótono de mais para corações pós-modernos. Mas é quando você é tirado da obviedade dos dias que percebe como a calmaria é, antes de mais nada, paz de espírito. Quem não consegue conviver com um ritmo naturalmente cadenciado por horas normais, não sabe a falta que isso faz em momentos de tempestade.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sei lá.

Eu sempre penso que preciso escrever mais, pra tirar esse sufoco por falar através das letras que quem gosta de escrever sente, mas terminando um mestrado e estudando pra uma seleção de doutorado a coisa ficou meio apertada esse ano! Quase não escrevi! Vasculhando arquivos, encontrei esse texto, de dezembro de 2011...quase uma ano atrás...não achei nas minhas postagens, então aí vai:


"Ela tem esse eterno jeito “sei lá”. Não arrebata corações, tem vocação zero pra sedução, mesmo usando salto 15 e decote. Não combina com ela ser gostosa ou extravagante, não por querer pregar de santinha, inclusive acha lindo mulherão que sabe ousar, mas ela apenas não é e ponto. Se sente mais confortável vendo o mundo como se estivesse à parte dele, sem causar terremotos, sem chamar a atenção. No amor, em geral, é do tipo que as coisas simplesmente não acontecem. E isso não é exatamente um fardo. O que mais ouve é “não tem namorado?” só falta a coragem de dizer o “tadinha” no final, o que pra ela soa tão, tão, bobo! Porque é que alguém que não tem namorado aos 28 tem que ser digna de pena? Pessoas estranhas essas que andam por aí...
Na idade em que está, tem tudo o que quer e vive a vida na paz. Casar não é seu objetivo primordial, mesmo que, como toda mulher, tenha seu lado mulherzinha. É claro que precisa de amor, mas quem tem muito na vida não se joga em um precipício por um motivo único. Decidiu que se for pra cair, só cai por desgraça total e completa. Ficar triste porque não tem alguém? Dura uns 5 minutos. É o tempo necessário pra lembrar do trabalho que lhe dá prazer, dos amigos que adora, da família fantástica, das viagens encantadoras. Mesmo se questionando e querendo sempre mais, sabe que não tem o direito de reclamar. A vida é naturalmente boa. E por saber disso ela não precisa se amar enlouquecidamente, amar os outros insanamente, viver intensamente como se fosse o último minuto de sua vida. Ela se gosta sem precisar ficar exaltando qualidades pra ninguém. É claro que gosta de gente, de ser humano, de sorriso no rosto, de abraço. Mas não precisa sair dizendo que ama profundamente os amigos e a família, porque atitudes de carinho não precisam necessariamente ser narradas. E é dessa calmaria que nasce o jeito “sei lá”. As pessoas sentem uma necessidade absurda de rotulação, então porque ela não vive paixões intensas, porque ela gosta de ajudar, porque ela se dá bem com quase todo mundo, ela é rotulada como essa coisa sei lá, assim, meio sem graça, meio boazinha demais. Do alto de sua mansidão, ela não contesta. Sentada no bar, tomando calmamente sua cerveja e observando tudo, ela pensa apenas “Aahh, sei lá! Que achem o que quiserem”."

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Mesmo com tanta coisa saindo errado até que tudo dê certo, eu continuo achando que o amor é fácil. É tão fácil perceber que ou você deixa ele entrar ou mantém ele de lado! Uma vez li que cada um tem um momento. Eu acredito nisso. O meu momento foi logo nos primeiros momentos, quando vi que você era muito próximo do que eu procurava. E deixemos a hipocrisia de lado, porque todos nós procuramos alguém   de um jeito determinado, colocamos critérios. Até podemos ser surpreendidos e o modelo pode ser flexível, mas, em geral, a gente sabe do que gosta.
E desde os primeiros momentos eu sabia: com você, o amor podia acontecer. Algo como olhar e pensar "tá aí, gostei ...". Ainda não era amor, era só um pensamento com frase em reticências. Mas, veja bem, com reticências, quando em geral, era sempre ponto final, ou não chegava a haver nem pensamento, nem frase. Com você, enfim, podia ser amor. Meses depois eu saberia que ele não viria a ser, assim, completamente. Mas ele podia. Eu sentia que era só dizer sim. Era só querer o amor. E eu, contrariando o repertório de fugas, incertezas e indiferenças, pra você eu queria dizer sim. Eu tava louca pra dizer sim. E aí, aí seria tudo alegria! Podia ser tudo alegria. Podia, se não fosse você dizer não. E dizer não com todas as letras, dizer um não consciente e racional. E me oferecer um pedacinho de um tipo de amor: o descompromissado. Sincero, sem enganação, até bom, mas com uma placa bem grande contornado com sirenes vermelhas e escrita em neon dizendo: daqui esse amor não passa.
E não existe raiva, piti, desconforto. Por um ano, até teve tudo isso, só pra mim mesma. Porque quem diz sim, acaba vivendo um pouco do amor que poderia ter sido, mesmo que o outro diga não, nem saiba, muito menos imagine. Agora, nesse momento em que você vai embora, sinto que esse amor, esse que eu vivi e você escolheu não viver, é jogado, sei lá, para o universo. Para o terreno da sorte, para o que Deus quiser. Porque a distância, ela é ótima em apagar devagarinho e afastar sem ferir brutalmente. A gente vai aceitando e esquecendo.
E não há mágoas, porque quando a gente não é mais muito criança entende que talvez simplesmente não seja eu pra você, mesmo que seja você pra mim. Você não teve momento comigo ou, se teve, escolheu deixar passar. Foi tua escolha equem é que tem o direito de criticar a escolha do outro? Eu tive meu momento e disse sim. Você pode ter tido, mas disse não. E aí só resta pensar, poxa, que pena! Foi bom, mas poderia ter sido tão mais... 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dói, né?! 
Doeria menos se ele fosse um cafajeste, cachorro, sem-vergonha...seria fácil aceitar que não era pra ser. Mas ele é legal, ele é um cara que ama.
E dói saber que não sou eu.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Breve, demorado, amor.

O amor, antes de mais nada, é um aconchego. Nem sempre é preciso um laço preso demais, amor não precisa de nó. Basta um abraço sincero e pronto: o coração acalma, você tem um lugar, um descanso, por segundos, da rotina maluca que é a vida. Nem sempre é preciso ter ligação no outro dia. Nem sempre é preciso ter aliança no dedo. Se tiver, ótimo, o amor exibido é lindo também, porque presta o serviço de lembrar aos decepcionados que sim, o amor existe e, logo, logo, chega, sem avisar. Amor também é passar aquela noite legal, com aquele cara legal, com aquela conversa legal, com aquele carinho legal. Momentâneo não adianta, dizem alguns. Você está sendo usada, dizem outros. Quanta bobagem. O amor cabe sim, inteirinho, dentro de um momento. O amor se adapta a qualquer situação: pode durar para sempre (e se reinventar lindamente a cada ano que passa); ou pode durar o tempo de um olhar, que nunca  mais vai ser visto. Porque o amor dura o tempo necessário: nem mais, nem menos. O que não dá - e essa é para aqueles que se dizem cansados, que decidiram fugir, que proclamam não querer se envolver, enfim, aquela palhaçada toda, de quem tá com dor de cotovelo - é viver sem amor. Só há sentido em qualquer coisa na sua vida, em qualquer atividade, em qualquer relação, em qualquer sonho, se nisso existir amor. Amor de homem, amor de mulher, amor de mãe, amor de irmão, amor de amigo, amor de trabalho, amor de vida, amor de dia, amor de noite, amor, amor e amor. Amor em tudo o que exista. Se ele sumir de algum lugar da sua vida, recupere-o, recrie-o, busque-o.
Queira, o amor.
Ele vai adorar isso. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A crise, parte I: generalizações


Estou em em crise total, completa. Mergulhada inteiramente na lama da indecisão e do desconforto comigo mesma. Os homens do século XXI até que andam tentando descobrir o que eu quero e sabe qual a melhor resposta? Não faço a mínima ideia! Não sei nem por onde começar, quando paro pra pensar nisso. Seria porque parece que não tenho mais muito pelo que lutar? Não existe mais uma causa nobre e profunda, não preciso mais provar nada pra ninguém, feminismo, pra mim, perdeu um pouco o sentido (e as feministas que perdoem minha ignorância...mas só falo aqui do que estou sentindo). E eu, mulher, também. Posso fazer o que eu quiser, ou pelo menos quase tudo. Talvez para algumas coisas possa existir uma falsa aceitação, mas se houver, tenho quase certeza que ela não vem dos outros, mas de mim mesma.
É, gurias, eu ando assim, perdidinha. Hoje mesmo ouvi minha mãe contar sobre um comentário de uma amiga. A tal da amiga disse que passou na casa de uma conhecida e lá estava ela as 5 da tarde tomadinha banho, sentada na área limpinha de casa, tomando um chimarrãzinho, com os filhos banhadinhos brincando na grama, a própria imagem da paz e tranqüilidade da mulher do lar. E ela - a amiga da minha mãe – era a própria imagem do stress pós-moderno grudado em um corpo cansado pelo trabalho do dia, em um rosto suado, um cabelo sujo, tudo conspirando para a falta de glamour e, claro, destoando completamente da concepção de paz e tranqüilidade. Então ela se questionou: “mas será que essa vida de mulher dona de casa não era melhor?”
Estamos vivendo exatamente no limbo que separa o mundo da "tranquila" vidinha do lar, do mundo em que somos poderosas, independentes e...cansadas. Afinal, o que é melhor? As duas coisas têm vantagens e desvantagens. Eu tenho certeza que uma semana apenas como dona de casa me deixaria completamente entediada e depressiva. Mas essa correria louca de trabalhar fora também acaba com a gente. Acaba, porque a gente não vai simplesmente trabalhar fora. A gente vai trabalhar e ser boa no que faz. A gente vai ser muito competente, altamente dedicada e além disso tudo, ainda vai conseguir ser linda e cheirosa. Só que se existe uma coisa que mulher sabe ter em sua mente, em seu coração e em sua alma, é o desejo de querer mais. Ok, temos o sucesso nas mãos. Antes mesmo dos 30, temos um caminho interessante construído especialmente para alcançar o êxito: uma carreira profissional bacana, um salário legal, amigos queridos, liberdade na vida social, amorosa e sexual e tanta coisa boa, que parece inaceitável que não consigamos ser o quadro da perfeita felicidade.
Inaceitável. Mas é o que anda acontecendo. A gente tem tudo isso aí em cima e não consegue ser feliz, porque queremos mais. O problema é que, volto a repetir, a gente não tem a mínima ideia do que seria esse plus, esse adicional, esse pequeno detalhe que nos faria sentir como que descobrindo o grande segredo da nossa existência, que seria capaz de enfim, nos deixar em paz.
E aí a gente tenta buscar explicações. Seria a descoberta desanimadora de que príncipe encantado não existe? Todo mundo critica essa história, mas poucos param pra pensar que o príncipe encantado não era só a possibilidade de ser feliz no amor, não significa apenas a ideia superficial de que existe alguém perfeito para cada uma de nós, não era um personagem singelo e despretensioso de um conto de fadas. Tudo bem, é claro que já sabemos que existem tantos homens perfeitos quanto políticos honestos, mas não é apenas do caráter romântico que o príncipe encantado se nutria. Ele era a representação de uma sociedade machista, mas que mesmo com carga negativa oferecia o que hoje o mundo não oferece mais: segurança. O príncipe encantado era qualquer um que representasse justamente uma resposta segura e incontestável para a vida da mulher, representava o sentido de sua vida, o objetivo do seu "estar no mundo", a sua salvação.
E as possibilidades continuam: Seria a dificuldade de se sentir segura tendo que encarar a vida sozinha? Seria a cobrança extrema de nós mesmas de que temos que ser muito boas em tudo que colocamos a mão? Seria o peso de sermos esses seres fantásticos e lindos, que até dia específico tem?
Ahh....o pensamento vira um turbilhão. Temos tudo, só não temos o que parece que poderia nos completar. E aí a ansiedade se intala, o stress se instala, a insegurança se instala...e nos resta sair pra comprar algo que possa acalmar nossos ânimos: um pote de sorvete, um sapato, um chocolate, tanto faz. Tudo vem da mesma estante de coisas inúteis que não conseguem nos responder o que, afinal, mulheres inteligentes, bonitas e bem sucedidas querem... mais.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Simplicidade


E então eu olhei pra toda aquela tentativa de afirmação sobre um salto 15 e pensei com meus botões...tão jovenzinha!! Deu vontade de chegar ao pé do ouvido e dizer “gatinha, tira esse salto alto e vai caminhar descalça na grama pra ver como é tão bom!”