Sou andante.
De dois em dois anos não sei se é a vida por si mesma, ou eu que inconscientemente dou um jeitinho de mudar meu porto. Fato é que desde que me formei, não tenho parada por muito tempo. Vivo de andanças, vivo fazendo e desfazendo malas. Cansa, é verdade. Sinto falta de me sentir segura, mas a força do vento sempre sopra mais forte dentro de mim. Corro um sério risco de não ter nada na vida, se a vida for avaliada em grau de estabilidade e em bens materiais. Às vezes até me bate um desespero: será que sempre vou estar na corda bamba? Geralmente é uma cobrança muito mais externa do que interna. Não que eu não queira ter minhas coisas, aliás já tive tantas vezes, e sei que é muito bom ter dinheiro e conforto.
Mas a verdade é que existe uma outra chama que aquece meu coração. É a chama de conhecer novos lugares, de estar sempre vivendo o novo. Ah, só quem tem alma de viajante e que prova o gosto do vento no rosto, de dormir em um canto do país e acordar no outro extremo sabe o que não tem preço. Nada paga.
Essa satisfação aumenta demais quando ainda por cima você conhece um monte de gente bacana. Gente que passa meses na sua vida, semanas até, e marcam sua vida pra sempre. Você sempre vai lembrar daquele momento de cumplicidade, de sorrisos, de apoio, de reconhecimento. Há pessoas que sei que não verei nunca mais. Que tiveram seu tempo demarcado na minha vida com começo e fim, e que nem precisariam de nenhum segundo a mais para se tornarem especiais na minha história.
Fora os que vem e vão, ainda há aqueles que há mais de década estão na minha vida. Nos falamos quase totalmente pela internet, demoramos meses para nos encontrarmos. Mas sabemos que nossos corações estão sempre unidos, não é preciso olhar no olho pra saber.
Já deixei meu coração em cada porto e às vezes me despedaço de saudades, porque todas essas pessoas e todos esses portos por onde passei são a minha maior riqueza. Viver, experimentar, viajar, conhecer, desbravar. Recomendo. Você inevitavelmente deixa o coração em cada porto. Mas ganha sempre muitos outros em troca.
sábado, 2 de outubro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
O que é que a gente quer da vida, quando a gente cresce?
Quando a gente é criança percebe alegria em tudo. Lembro-me de quando ia inúmeras vezes no mercadinho da rua de cima, a pedido do pai ou da mãe pra comprar algo que faltava. Eu ia faceira da vida, porque o troco ficava sempre pra mim. O que uma criança pensa em comprar? Às vezes dez centavos era motivo de felicidade.
Aí o tempo começa a passar e vem a preocupação com a escola (sim essa minha mania vem de longe, onde já se viu uma criança ou adolescente se preocupar com a escola? Escola tem que instigar curiosidade, interesse, não preocupação. Mas eu perdia meu tempo me preocupando) e as questões absurdamente fatais da adolescência. Os sonhos começam a ficar um pouco maiores e, claro, mais caros. Dez centavos já não é dinheiro. Engraçado que nessas duas fases os sonhos parecem sempre estar no futuro. O tempo, por ironia, muda com o tempo. Quando se é criança, aiii, como passa devagar. Os adultos costumam dizer "Nossa, como fulana cresceu!" Cresceu pra onde?? Quando se é criança, crescer é uma eternidade.
Adolescente sonha com namorado, talvez. Coisa que descobre, não é tão simples quanto comprar uma bala com dez centavos. Sonha com a futura profissão, talvez. Coisa que descobre, traz consigo um monte de chatices administrativas que não existiam na sua imaginação. Adolescente sonha mesmo. Lembro que eu passava horas no meu quarto, olhando pro teto e ouvindo música. O que se passava na minha cabeça? Um monte de sonhos.
Só que enquanto a gente sonha o tempo começa a correr e não mais a andar. Quando nos damos conta a infância passou, a adolescência tá quase no fim, e você tá batendo na porta da faculdade. E a faculdade? Ah, grande sonho! Sonho caro. O que um jovem sonha em comprar? Quatro, cinco anos de faculdade parecem uma eternidade, novamente ela. Mas não é. Piscou, passou. Último semestre. Monografia. Estágio. Aí, sim. Você cresceu e começa a sentir na pele o peso verdadeiro das preocupações. Não mais saber resolver um problema de matemática da 5ª série. Agora é tua vida que tá em jogo. O futuro chegou.
Com o diploma na mão o mínimo que seus pais esperam é que você consiga um emprego e se sustente sozinho. Mínimo porque não se engane, no fundo eles querem que você seja o melhor profissional de todos os tempos e, de quebra, o mais bem pago.
Esse é o exato momento em que você começa a enlouquecer. E se eu não conseguir um emprego? E se eu conseguir e odiar? E se eu for uma fracasso? Um profissional medíocre? E se eu quiser jogar tudo pro alto e viajar pelo mundo? E se eu quiser fazer concurso público e morar com meus pais pro resto da vida? E se, e se, e se....a vida tá na tua mão, você escolhe o que fazer com ela. A escolha é toda tua. E as consequências também.
Tudo o que se espera é que diante da imensidão de possibilidades que se formam, você diga, enfim, o que quer da vida. Você acha que já disse quando escolheu o curso da faculdade, mas você tinha 17 anos e uma visão bem mais cor-de-rosa de tudo. Hoje você tem consciência. Consciência de que sonhos, para adultos, custam muito, muito mais caro. Que sucesso na profissão exige tempo, aquele, que passa não mais andando, não mais correndo, agora ele passa voando e te deixa feito bobo porque o dia passou. A semana. Mais um ano. Tudo passou e você cresceu.
E agora é preciso saber, porque é o que todos esperam e, mais do que todos, você mesmo quer saber:
O que você quer da vida, agora que você cresceu?
*Texto escrito em uma folha de caderno em 22 de agosto de 2007.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Cada tempo
Tenho um prazer secreto em olhar fotos e coisas "antigas". Apesar da nostalgia, da saudade, sempre sinto uma alegria sutil quando recordo o que já passou. Mesmo que alguns momentos tenham sido ruins, percebo sempre que tudo, mesmo aquilo que parecia desesperador, depois de algum tempo, passa a fazer sentido. E o tempo, acho eu, é tão imensamente generoso! Ameniza qualquer dor, qualquer angústia, e se se tratar do contrário -algo bom - guarda com carinho, em uma pontinha do coração, trazendo à tona de tempos em tempos, como forma de boas lembranças.
Pois olhando minha caixa amarela repleta de recordações, entre cartões de ex-namorado, convites de formatura de amigos e fotos de escola, encontro várias cartas. Muita gente que gosta de blog, orkut, skype e MSN pode não saber o que é enviar e melhor que isso, receber uma carta. Tudo bem que a instantaneidade dos dias de hoje fecha direitinho com as novas formas de comunicação, tão rápidas e absurdamente reais. Mas é justamente aí a questão, elas são tão reais que não deixam mais espaço para a imaginação de histórias escritas à mão.
Olha que eu não sou velha. Li e reli cartas escritas por minhas amigas quando fui morar em Santa Maria para fazer faculdade, e isso não faz tanto tempo assim. Aliás uma das características mais bacanas das cartas é o seu período de conservação. Você pode as guardar pro resto da vida e a cada releitura, recordar cada letra, cada palavra, cada situação vivida. Cartas amarelam charmosamente com o tempo. E quanto mais amareladas, mais intensa é a capacidade de resgatar o pequeno mundo de sentimentos guardado em suas linhas.
Escrever uma carta EXIGE sentimento. Recortar fatos, selecionar assuntos, tudo isso é feito com coração. É claro que se pode falar tudo e muito mais em recados de orkut, ter longas conversas pelo MSN, contar segredos que não devem ser lidos publicamente através dos depoimentos furtivos do orkut. Mas escrever uma carta exige carinho e um pouco mais de trabalho, já que é preciso escrever, escolher envelopes, levar ao correio. E esperar. Nada torna algo tão mais valioso do que o esperar. É o tempo, que mais uma vez dá um sabor a mais às coisas simples.
E receber uma carta então? Você se sente tão especial, em reflexo ao carinho dedicado por outra pessoa ao escrever a você, que mal consegue abrir o envelope direito, rasga-o. E então, através de letras e frases escritas a quilômetros de distância, seu coração se aproxima de quem realmente gosta de você.
E tudo isso, só sabe, e só sente, quem um dia teve o prazer de receber uma carta. Quem a guarda com amor em uma caixa no armário. E quem de tempos em tempos, a relê e, relendo, consegue reviver o carinho sentido quando a recebeu.
Todo o encantamento das cartas só poderia mesmo não pertencer a este tempo de agora. Tempo de correria, de preocupações e principalmente de tanta falta de sentido desse mundo louco. Eu costumo dizer que gostaria de viver em outro tempo. Eu prefiro o tempo das cartas, o tempo do encanto, o tempo do sentimento.
Infelizmente vivo no tempo da instantaneidade. Como não há como voltar na história, agradeço por ao menos ter cartas, para recordar os outros tempos.
Todo o encantamento das cartas só poderia mesmo não pertencer a este tempo de agora. Tempo de correria, de preocupações e principalmente de tanta falta de sentido desse mundo louco. Eu costumo dizer que gostaria de viver em outro tempo. Eu prefiro o tempo das cartas, o tempo do encanto, o tempo do sentimento.
Infelizmente vivo no tempo da instantaneidade. Como não há como voltar na história, agradeço por ao menos ter cartas, para recordar os outros tempos.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
AAAAA-gosto!
Alguém colocou no orkut que adora agosto. Sabe que eu também?? Agosto tem gosto de segundo semestre do ano, que lembra que mais da metade do ano já passou, que lembra que logo é final do ano, e final de ano é sempre bom, tem sempre uma energia bacana.
Agosto tem gosto de fim de inverno, apesar de hoje ter feito 1 ou 2 graus de temperatura pela manhã. Mas a verdade é que metade do inverno já passou e eu simplesmente amo a passagem do inverno- para a primavera- para o verão. Os primeiros "calorzinhos" me dão uma alegria esfuziante...me dá uma disposição, uma vontade de vida, de andar pela rua, largar o peso de casacos de lã. Os primeiros calores me renovam.
Agosto, pra mim, não é o tal do Mês do desgosto, que os antigos costumavam dizer. Pra mim é o mês do gosto. É o mês que você começa a pensar "nossa já passou metade do ano". E pensar assim geralmente te faz "se mexer". Se você não fez nada até agora percebe que se não fizer logo o ano termina. Ou então você fica dando graças a Deus que está terminando o ano e logo logo vem um ano novinho em folha pra você fazer tudo o que não fez em 2010. Bom, e se você fez várias coisas, ótimo, você se sente satisfeito.
Agosto pra mim, tem gosto de festa. Sinto vontade de sair da toca, bem como se fosse um urso polar mesmo, que ficou hibernando por um bom tempo. Agosto tem gosto de novos ares. E agosto tem cor de fumaça. Lembro que quando pequena - ou melhor, criança - agosto era o mês que as pessoas queimavam sei lá o que. O que sei é que o agosto ficava com cor acizentada. Mas apesar de o cinza ser uma cor fria, ele vem da fumaça, que vem do fogo, que lembra calor.
Mês de agosto tem gosto de calor. Calor de novidade, calor de amizade, calor de cidade, de movimento. Tá aí. Agosto, pra mim, tem gosto de liberdade. E liberdade é meu motor.
domingo, 25 de julho de 2010
Minhas tão minhas instabilidades
Ando com o coração na mão. Aparento ser uma pessoa calma e doce. Mas quem realmente convive comigo ou me conhece bem, sabe: sou instável. Instável nos sentimentos, nas vontades, nos sonhos e nas certezas. Ontem acordei muito triste. Algumas desconfianças andam me tirando o sono. E quanta preocupação com meu futuro, porque impaciência é meu pior defeito. Não aceito esperar. Se quero, quero agora. E justo aí aparece minha maior inconstância. Sou rápida no querer, mas por ser indecisa, não sigo a mesma velocidade no agir.
Tudo me tira o sono. Sou preocupada. E quando tudo parece triste demais, desesperador demais, é engraçado, porque aí eu olho pro lado, para trás ou sei lá para onde e algo me diz: Não importa o que aconteça, você é feliz. E aí olho para mim mesma, suspiro, e penso, "é, eu sei, eu sempre consigo manter minha felicidade e minha gratidão, mesmo que tudo pareça perdido".
E é aí que não entendo pessoas que não conseguem ver alegria em nada. Não é possível que haja uma vida tão sem cor. O mundo lá fora é o mesmo pra todos. O que é diferente é o mundo dentro de cada um. Mesmo nas piores misérias, é possível encontrar a beleza, a vida pulsando, o calor de um olhar. Não, definitivamente, não consigo me manter triste por muitas horas. Uma imagem me encanta, a lembrança de um amigo me faz rir, de um amor me aqueçe o coração, de minha família, me apóia e não me deixa cair.
Acima de tudo, penso, Quem criou isso tudo, não criou tantos ínfimos detalhes à toa.
E então, sim, tudo realmente faz sentido.
Poesias de adolescência...
Aí vai mais uma poesia que escrevi quando tinha 18 anos (parece que foi ontem, e pensar em tudo o que já aconteceu na minha vida em 8 anos é impressionante!)
Ah, reparei uma coisa, lendo algumas de minhas poesias...nossa, como muitas delas são tristes! Estranho, porque sempre fui feliz!
"O que trago nestes olhos de outono
É o canto do sono
Que a muito me atinge
Sinto as folhas mortas
Que balançam meus pensamentos
E me levam para outros tempos
Quando bons momentos... Vivi
Faço de mim agora
Um instrumento de vaga voz
Um tormento não mais veloz
Um vento sereno
Que traz apenas o aceno
E a minha despedida da vida"
Samantha Borges - 15/04/2002
terça-feira, 6 de julho de 2010
A síndrome do "já vai fazer um ano!"
Tava aqui a toa na frente do computador...aí comecei a ler alguns textos na minha agenda, coisas que parece que foi ontem que aconteceram e olhando a data me dei conta de que já vai fazer um ano! Olhando fotos de uma amiga também acabei lembrando de algumas coisas, como o dia do aniversário dela, e me dei conta que daqui a pouco já vai fazer um ano!
Era logo ali que eu tava na casa dos meus pais, que eu tava atracada estudando pra um concurso, que eu tava morando em Ijuí, que eu assistia mil filmes com a mãe no final de semana, que ia na Estação da Mata fazer festa com meu irmão e minha cunhada, que eu levantava no meu quarto de Ijuí, tantas coisas, outra rotina...
O mais engraçado é pensar que no ano passado, quando eu vivia essa realidade eu pensava que já ia fazer um ano que eu morava no Mato Grosso, que eu namorava o Daniel, que eu tinha outra casa, outro emprego, outros colegas de trabalho, outra rotina.
E se voltar ainda um ano atrás desse eu ia estar pensando que já ia fazer um ano que eu estava me formando na faculdade, já ia fazer um ano que estava há um ano com o Daniel, que morava em Santa Maria, em outro apartamento, convivia com meus amigos de lá, trabalhava no Jornal A Razão...
Quando penso na velocidade com que os acontecimentos da minha vida já vão fazer um ano, confesso, fico meio assustada. E principalmente porque percebo minha ruim ou boa, vai saber, tendência a mudar sem pensar muito. Eu fui de Ijuí a Santa Maria, ao Mato Grosso, a Ijuí de volta e a Fred West no espaço de míseros 6 anos.
Ai, 6 anos me faz lembrar a minha idade...heheh...e aí endoideço mesmo!
Será que a falta que sinto de alguma coisa seria a falta de segurança? Sabe, a certeza de pensar, "bom é nesta cidade que vou morar, que vou ficar por um bom tempo e fazer minha vida!". Talvez seja isso. Talvez essa transitoriedade - ou fuga, vai saber - da minha realidade me traga essa sensação de "ainda não estou no meu lugar". Eu sinto vontade de parar. Mas quando surge algo novo é tão difícil resistir...
Bom...várias coisas já vão fazer um ano, e o certo é o que já vai fazer um ano, logo, logo vai fazer dois. Então, gosto de usar um frase, uma das frases mais bacanas que já li e encontrei em um livro bem adolescentesinho e que, por sinal, já deve tá fazendo um ano que li: "Respirei fundo e corri para o mundo. Porque a vida não espera por ninguém."
Então, vamos lá.
Era logo ali que eu tava na casa dos meus pais, que eu tava atracada estudando pra um concurso, que eu tava morando em Ijuí, que eu assistia mil filmes com a mãe no final de semana, que ia na Estação da Mata fazer festa com meu irmão e minha cunhada, que eu levantava no meu quarto de Ijuí, tantas coisas, outra rotina...
O mais engraçado é pensar que no ano passado, quando eu vivia essa realidade eu pensava que já ia fazer um ano que eu morava no Mato Grosso, que eu namorava o Daniel, que eu tinha outra casa, outro emprego, outros colegas de trabalho, outra rotina.
E se voltar ainda um ano atrás desse eu ia estar pensando que já ia fazer um ano que eu estava me formando na faculdade, já ia fazer um ano que estava há um ano com o Daniel, que morava em Santa Maria, em outro apartamento, convivia com meus amigos de lá, trabalhava no Jornal A Razão...
Quando penso na velocidade com que os acontecimentos da minha vida já vão fazer um ano, confesso, fico meio assustada. E principalmente porque percebo minha ruim ou boa, vai saber, tendência a mudar sem pensar muito. Eu fui de Ijuí a Santa Maria, ao Mato Grosso, a Ijuí de volta e a Fred West no espaço de míseros 6 anos.
Ai, 6 anos me faz lembrar a minha idade...heheh...e aí endoideço mesmo!
Será que a falta que sinto de alguma coisa seria a falta de segurança? Sabe, a certeza de pensar, "bom é nesta cidade que vou morar, que vou ficar por um bom tempo e fazer minha vida!". Talvez seja isso. Talvez essa transitoriedade - ou fuga, vai saber - da minha realidade me traga essa sensação de "ainda não estou no meu lugar". Eu sinto vontade de parar. Mas quando surge algo novo é tão difícil resistir...
Bom...várias coisas já vão fazer um ano, e o certo é o que já vai fazer um ano, logo, logo vai fazer dois. Então, gosto de usar um frase, uma das frases mais bacanas que já li e encontrei em um livro bem adolescentesinho e que, por sinal, já deve tá fazendo um ano que li: "Respirei fundo e corri para o mundo. Porque a vida não espera por ninguém."
Então, vamos lá.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Com o tempo eu também aprendo...
Eu sei que tem uma crônica muito famosa que começa com a frase "um dia você aprende". É super bonita. Mas aqui quero falar sobre algumas coisas que eu aprendo e que me surpreendem...eu sei que para os outros parece uma idiotice sem tamanho, mas para mim fiz uma grande, uma enorme descoberta há alguns dias atrás.
Desde muito tempo eu tenho pra mim que gosto muito de levantar cedo. Quando morava em casa, adorava levantar tipo 7 horas da manhã (não sou tão velha a ponto de considerar 5 horas cedo, ainda estou na fase que cedo é 7), sem precisar mesmo, assistir o jornal na Globo, tomar um bom café, bem descansada, já que por 2 anos do ensino médio estudei a tarde. Quando fui pra faculdade o gosto continuou. Eu simplesmente amava levantar cedo, especialmente nos domingos. Ver o sol começando a aquecer a cidade, abrir a janela do quarto, aquela sensação gostosa de olhar pra fora e em meio a uma cidade de 300 mil habitantes ter contato com um pouco de silêncio, ouvir alguns passarinhos perdidos entre os prédios que rodeavam o meu. Eu me encantava com a sensação de um dia novinho começando, acordar tarde era como estar perdendo alguma coisa. Nem sei ao certo de onde herdei isso, já que minha mãe sonha com final de semana pra dormir até meio dia.
Verdade é que acordar cedo me fazia muito feliz. Depois de um tempo, quando comecei a namorar comecei a acordar um pouco mais tarde. Mas sempre defendi com unhas e dentes o fato de amar acordar cedo. O namoro terminou e eu continuei querendo acordar mais tarde, mas insistindo que meu ideal é levantar cedo, defendendo minha posição de gostar de levantar cedo. Antes de terminar o namoro, quando defendia minha opinião esse ex-namorado sempre contestava. E eu ficava muito brava, onde já se viu alguém contestar que eu gosto de levantar cedo?? eu que sempre amei levantar cedo!!
Atualmente eu trabalho a partir das 8 da manhã. Levanto 6h50 porque caminho quase meia hora pra chegar no trabalho. A idéia de acordar 6h50 da manhã andava me deixando fula da vida e eu não conseguia entender como, se eu gosto tanto de levantar cedo. Até que plim! caiu a ficha! Eu não gosto mais de levantar cedo!!!!! Descobrir isso foi assombroso. Foi contra todo o meu princípio defendido por anos...uma característica que era minha, tão minha!
Talvez não seja o fato de levantar cedo, mas sim a obrigação de levantar cedo que me incomode. Realmente faria sentido, porque não existe o que eu odeie mais nessa vida do que não ter liberdade, então se levantar cedo é obrigação pela lógica eu não posso gostar. TER que levantar cedo talvez seja a minha irritação.
Comecei a pensar em tudo, desde então. Em como eu era feliz em acordar cedinho, ir na academia, tomar um iogurte saudável, aí já lembrei que não como mais frutas, emendei que não tenho mais horários, resumindo cheguei a conclusão de que minha vida tá um caos. Não que eu esteja infeliz, mas seguido tenho a sensação de que não estou vivendo como gosto. Parece que não tenho mais aquela disposição, organização então, foi pro espaço. E a sensação de estar vivendo bem também anda passando longe dos meus dias.
Aí bateu uma baita vontade de mudar. Claro que tem preguiça, tem desânimo, tem falta de grana, preocupação, tem tudo pra atrapalhar.
Mas enquanto eu não tentar, vou continuar com essa sensação de estar simplesmente vivendo de acordo com o que acontece nos meus dias e não de acordo com o que quero que aconteça.
Desde muito tempo eu tenho pra mim que gosto muito de levantar cedo. Quando morava em casa, adorava levantar tipo 7 horas da manhã (não sou tão velha a ponto de considerar 5 horas cedo, ainda estou na fase que cedo é 7), sem precisar mesmo, assistir o jornal na Globo, tomar um bom café, bem descansada, já que por 2 anos do ensino médio estudei a tarde. Quando fui pra faculdade o gosto continuou. Eu simplesmente amava levantar cedo, especialmente nos domingos. Ver o sol começando a aquecer a cidade, abrir a janela do quarto, aquela sensação gostosa de olhar pra fora e em meio a uma cidade de 300 mil habitantes ter contato com um pouco de silêncio, ouvir alguns passarinhos perdidos entre os prédios que rodeavam o meu. Eu me encantava com a sensação de um dia novinho começando, acordar tarde era como estar perdendo alguma coisa. Nem sei ao certo de onde herdei isso, já que minha mãe sonha com final de semana pra dormir até meio dia.
Verdade é que acordar cedo me fazia muito feliz. Depois de um tempo, quando comecei a namorar comecei a acordar um pouco mais tarde. Mas sempre defendi com unhas e dentes o fato de amar acordar cedo. O namoro terminou e eu continuei querendo acordar mais tarde, mas insistindo que meu ideal é levantar cedo, defendendo minha posição de gostar de levantar cedo. Antes de terminar o namoro, quando defendia minha opinião esse ex-namorado sempre contestava. E eu ficava muito brava, onde já se viu alguém contestar que eu gosto de levantar cedo?? eu que sempre amei levantar cedo!!
Atualmente eu trabalho a partir das 8 da manhã. Levanto 6h50 porque caminho quase meia hora pra chegar no trabalho. A idéia de acordar 6h50 da manhã andava me deixando fula da vida e eu não conseguia entender como, se eu gosto tanto de levantar cedo. Até que plim! caiu a ficha! Eu não gosto mais de levantar cedo!!!!! Descobrir isso foi assombroso. Foi contra todo o meu princípio defendido por anos...uma característica que era minha, tão minha!
Talvez não seja o fato de levantar cedo, mas sim a obrigação de levantar cedo que me incomode. Realmente faria sentido, porque não existe o que eu odeie mais nessa vida do que não ter liberdade, então se levantar cedo é obrigação pela lógica eu não posso gostar. TER que levantar cedo talvez seja a minha irritação.
Comecei a pensar em tudo, desde então. Em como eu era feliz em acordar cedinho, ir na academia, tomar um iogurte saudável, aí já lembrei que não como mais frutas, emendei que não tenho mais horários, resumindo cheguei a conclusão de que minha vida tá um caos. Não que eu esteja infeliz, mas seguido tenho a sensação de que não estou vivendo como gosto. Parece que não tenho mais aquela disposição, organização então, foi pro espaço. E a sensação de estar vivendo bem também anda passando longe dos meus dias.
Aí bateu uma baita vontade de mudar. Claro que tem preguiça, tem desânimo, tem falta de grana, preocupação, tem tudo pra atrapalhar.
Mas enquanto eu não tentar, vou continuar com essa sensação de estar simplesmente vivendo de acordo com o que acontece nos meus dias e não de acordo com o que quero que aconteça.
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